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Sindicato dos Magistrados do Ministério Público destaca "fragilidades" nos tribunais do Porto

Sindicato dos Magistrados do Ministério Público destaca "fragilidades" nos tribunais do Porto

Os tribunais da Comarca do Porto apresentam "fragilidades estruturais que comprometem, de forma séria, o desempenho do Ministério Público e o funcionamento da justiça, denunciou hoje o sindicato Sindicato dos Magistrados do Ministério Público.

RTP /
Wesley Tingey - Unsplash

O Sindicato destaca problemas de falta de pessoal, sobrecarga processual, problemas nas instalações e carências informáticas, situação muito semelhante à encontrada noutros tribunais do país

"O diagnóstico é claro: a comarca trabalha muito abaixo do necessário, e a entrada exponencial de novos inquéritos tem conduzido a situações limite", critica o sindicato, dando como exemplo o caso de Amarante, onde um magistrado acumula quase mil inquéritos e uma magistrada acompanha 500 processos, metade deles de violência doméstica, "uma área particularmente sensível que exige resposta imediata", estendendo-se o mesmo problema a outros tribunais.

A reunião de hoje fez parte do ciclo de plenários iniciados a 09 de outubro de 2025 nas 23 comarcas do país para avaliar o estado do parque judicial e as condições de trabalho.

A estrutura sindical realça que a Comarca de Porto Este, com sede em Penafiel, "abrange um território extenso e heterogéneo" composto por oito municípios --- Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel.

É uma das maiores comarcas do país, com juízos centrais distribuídos por vários municípios e juízos locais presentes em praticamente todo o território, o que para o SMMP "exige uma estrutura operacional robusta, recursos adequados e capacidade de resposta permanente para garantir proximidade, celeridade e eficácia".

O SMMP considera que o excesso de trabalho tem levado ao recurso sistemático a acumulações de serviço, um mecanismo excecional que, em vez de aliviar a pressão, acaba por sobrecarregar ainda mais os magistrados do MP, frisando que estas acumulações, autorizadas para garantir o funcionamento mínimo dos serviços, tornaram-se recorrentes e revelam a incapacidade estrutural do sistema em responder às necessidades reais da comarca.

O sindicato denuncia também que as condições das instalações e da segurança na Comarca revelam um cenário muito abaixo do exigível, com impacto direto na dignidade do trabalho e na qualidade do serviço prestado, uma situação também similar a outras que tem encontrado pelo país.

O SMMP conclui que "a situação vivida na Comarca de Porto Este compromete a qualidade da justiça, a proteção das vítimas e a saúde dos profissionais".

"A sobrecarga extrema, agravada pela falta de recursos humanos, pelas condições deficientes das instalações e pela impossibilidade de aplicar plenamente os conteúdos funcionais legalmente atribuídos ao MP evidencia um modelo esgotado e incapaz de responder às exigências de um território vasto e populoso", vinca, apelando a uma "intervenção urgente".

Após o plenário de hoje, restam cinco comarcas para concluir a ronda nacional que o SMMP pretende finalizar até abril, quando pretende apresentar à tutela as conclusões recolhidas em todo o país.

C/ Lusa 
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